Sou da cozinha
Clayton Oppitz
Tempos idos aquele em que a mulher era a dona absoluta da
cozinha. Mudou! Mudou muito e vai mudar mais. O homem moderno aprendeu a
dividir com as mulheres as tarefas domésticas, com destaque nas artes
culinária.
Aprendi muito de cozinha pelo sistema tira a mão daí. (espiando
panelas e ganhando tapinhas nas costas da mão). O cozinheiro perde a mão com
intromissões, até o vinho parece azedar com palpites. Mas, fora algumas
amuações, é prazeroso construir uma boa refeição para quem se ama. Pegar alguns
ingredientes, experimentar as dosagens, mistura-los, acertar a caloria, o tempo
e esperar por pelo momento especial de servir.
A minha memória não cuidou de guardar quando, ou como foi
que me iniciei nas artes culinárias. Por alguns riscos em minha linha de tempo,
na direção ao passado, posso iniciar ao remonte das lembranças.
Eram os anos dourados. Uma época de libertação, segura
para sairmos sem rumo, e passar dias acampados pelas matas que adornavam
Canela. Para comer: mochila lotada de bolachas, pães, salsicha Swift, arroz,
batata, linguiça e café. Numa panela de ferro aquentada no fogo de chão, atirávamos
sem ordem alguma a linguiça cortada em rodela, batatas em cubos médios e o
arroz. Chamávamos de carreteiro. Esse
prato exótico fica melhor quando acompanhado do café na brasa. Esse sim, quem
nunca tomou não sabe o que é café. É fácil de fazer, em uma caneca de água
fervendo em fogo de chão misture o café em pó e para decantar a borra coloque
um tição em brasa. Nossa! Vai saudades.
Essa variação de carreteiro eu pratiquei por todo o tempo que estive na Universidade. Ao trocar o café pela caipirinha, ela ganhou ares de maturidade. A receita continua sagrada e nada vai substituir seu eterno sabor. Nem mesmo o risoto, que me orgulho de fazer bem, mexido com a paciência da idade vai tomar seu lugar.