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sexta-feira, 26 de junho de 2020

Sou da cozinha

Clayton Oppitz 

Tempos idos aquele em que a mulher era a dona absoluta da cozinha. Mudou! Mudou muito e vai mudar mais. O homem moderno aprendeu a dividir com as mulheres as tarefas domésticas, com destaque nas artes culinária.

Aprendi muito de cozinha pelo sistema tira a mão daí. (espiando panelas e ganhando tapinhas nas costas da mão). O cozinheiro perde a mão com intromissões, até o vinho parece azedar com palpites. Mas, fora algumas amuações, é prazeroso construir uma boa refeição para quem se ama. Pegar alguns ingredientes, experimentar as dosagens, mistura-los, acertar a caloria, o tempo e esperar por pelo momento especial de servir.

A minha memória não cuidou de guardar quando, ou como foi que me iniciei nas artes culinárias. Por alguns riscos em minha linha de tempo, na direção ao passado, posso iniciar ao remonte das lembranças.

Eram os anos dourados. Uma época de libertação, segura para sairmos sem rumo, e passar dias acampados pelas matas que adornavam Canela. Para comer: mochila lotada de bolachas, pães, salsicha Swift, arroz, batata, linguiça e café. Numa panela de ferro aquentada no fogo de chão, atirávamos sem ordem alguma a linguiça cortada em rodela, batatas em cubos médios e o arroz. Chamávamos de carreteiro.  Esse prato exótico fica melhor quando acompanhado do café na brasa. Esse sim, quem nunca tomou não sabe o que é café. É fácil de fazer, em uma caneca de água fervendo em fogo de chão misture o café em pó e para decantar a borra coloque um tição em brasa. Nossa! Vai saudades.

Essa variação de carreteiro eu pratiquei por todo o tempo que estive na Universidade. Ao trocar o café pela caipirinha, ela ganhou ares de maturidade.  A receita continua sagrada e nada vai substituir seu eterno sabor. Nem mesmo o risoto, que me orgulho de fazer bem, mexido com a paciência da idade vai tomar seu lugar.