Ivone Renck
Estamos
numa época de grande transição, o que será após a pandemia? E esta pausa
reflexiva da quarentena? Em 1976 Milton Nascimento cantou profeticamente-“Sei
que nada será como antes, amanhã“
Nesta
época atual se potencializou a diferença social, uns com tanto comer-e
adoecendo por isso- e outros com fome. A revolução francesa foi causada
pela fome, em uma fase climática crítica, onde os alimentos sumiram da
população, entretanto, na corte se banqueteavam. “Não tem pão que comam
Brioche” na era napoleônica não foi diferente, na nova “ corte” o mesmo
desperdício.
Minha
intenção não é ser panfletária, mas colocar a alimentação num outro patamar, o
da saúde- meu foco. Hipócrates no século V a.c. dizia “Sejam os vossos
alimentos os vossos remédios”, e pioneiramente atribuiu estados físicos e
emocionais à alimentação. Sua teoria humoral, caída em descrédito no século XX,
hoje tem sua releitura, com a biologia molecular e microscopia eletrônica. A
doença não cai do nada, vem de um desequilíbrio da MATRIZ EXTRA CELULAR, vale
dizer, o terreno biológico deve conter os nutrientes em quantidade, qualidade e
equilíbrio entre acidez e alcalinidade.
Inspirado
em antigos conhecimentos o jejum é curativo. Está em moda o jejum intermitente,
que é muito bom, mas tem que saber como fazer, tem que estudar ou ser muito bem
orientado. Sair de um jejum tem cuidados especiais. Tempos atrás um homem jovem
perdeu-se no interior do Cânion do Itaimbezinho, veio esquálido, desnutrido,
quando depois de dias foi resgatado. Se tivesse conhecimento poderia ter comido
inúmeras plantas nativas. estas podemos chamar de Ervas Daninhas
Nutro-terapeuticas. A notícia continuou, contando que a mãe, em estado de
felicidade do reencontro, disse ao repórter, que preparou o bolo de chocolate
que ele gostava. Nem imagino em que estado ficou a sua saúde.
Podemos
nos alimentar com prazer, não só pelo prazer. Aliás o paladar é treinável em 21
dias, se tiver para isso vontade, podemos aceitar novos hábitos. Hoje não se
fala mais em dieta ou regime alimentar e sim em educação alimentar. Não digo
reeducação pois nunca fomos educados. Na minha época na faculdade tivemos, em 6
anos, duas aulas de alimentação, considerado perda de tempo, na nossa
ignorância, pois queríamos estudar doenças e seu remédios.
Reconheço
a dificuldade de modificar hábitos, requer um conhecimento e
um esforço, mas se for pra melhor, vale a pena tentar, antes que o
médico venha exigir isto.